WIKILEAKS – David Leigh & Luke Harding
Os dois jornalistas destrincham o fenômeno WikiLeaks e exploram as muitas peças de um quebra-cabeça que continua a dominar as manchetes mundiais. Eles examinam a cultura da internet que tornou possível a revelação de informações sigilosas e os hackers fanáticos que formaram a base do WikiLeaks. Exploram os eventos secretos que o site divulgou e ainda analisam as implicações das mais recentes revelações do WikiLeaks. Até agora, a história do WikiLeaks foi revelada de maneira fragmentada. O livro WikiLeaks: a guerra de Julian Assange contra os segredos de Estado apresenta o quadro completo.
Assim que vi o nome do livro pensei “quero ler!“. Ele não tem a capa mais atraente do mundo, o título é um pouco enorme demais para falar (e escrever) mas a história nele é ótima!
Creio que todo mundo ouviu falar do Wikileaks no final do ano passado, quando eles publicaram diversos documentos secretos dos Estados Unidos, e logo em seguida Julian Assange, o cabeça do projeto, foi preso por estupro. Esse livro se trata da história inteira, por trás dos panos.
Mas, se foi no final do ano passado, como que já tem livro e tudo? A credibilidade da obra é dada pelo fato dos autores serem dois jornalistas do The Guardian, jornal inglês. O jornal foi o maior parceiro do Wikileaks no momento da publicação dos documentos secretos, e tiveram acesso à eles antes de todo mundo. Portanto, a história estava feita, só faltava publicar!
O que eu mais gostei é como o livro mescla passado, presente e olhar analítico. Ele cobre um pouco de como Julian Assange virou o que é hoje, fala da personalidade dele, o submundo hacker da Austrália, conta como foi todo o processo de publicação, do processo, das reações mundiais às informações e tudo com um tom de voz característico de jornalistas investigativos: sarcástico.
Berdymukhamedov não gosta de pessoas mais inteligentes que ele. E como ele não é muito inteligente – afirmou nossa fonte -, desconfia de muita gente. <- diplomata americana, sobre presidente do Turcomenistão
Ao mesmo tempo que o livro conta a história, ele também vai revelando passagens interessante, preocupantes ou engraçadas de toda a documentação, fazendo comentários pessoais ou quotes de comentários ilustres. A tocada é rápida, os eventos vão correndo, cada capítulo é focado em uma parte da história, com local e hora e um quote divertido, tem até da Lady Gaga!
Como o livro é escrito e muitas vezes narrado por jornalistas, é muito divertido acompanhar toda a excitação da equipe do jornal, sofrendo com informática, lendo os documentos, sentindo que faz parte da História.
O Twitter estava proibido, segundo as palavras do juiz. Imediatamente, vários jornalistas tuitaram a decisão. Provavelmente, foi o ato de desacato ao tribunal mais rápido da história da justiça. <- sobre cobertura de uma das audiências de Assange.
Existem muitas novidades no livro, coisas que não foram divulgadas, e perfis de autoridades feitos por pessoas que estavam lá vendo acontecer, mas a parte mais interessante é como tudo aquilo que vimos no jornal está organizado, em uma linha do tempo, o que faz tudo ficar muito mais claro.
Ao final, existem um apêndice com alguns do telegramas secretos traduzidos e organizados, onde diplomatas falam abertamente do que vêem. Li todos e ainda dei um google, o que me levou à esses dois links, com os telegramas traduzidos que falam sobre o Brasil, na Folha: Matéria 1, Matéria 2.
Eu achei muito bom, creio que valhe a pena ler seja pelo interesse na política e diplomacia mundial, seja pela curiosidade pura de saber como é o backstage de algo assim, ou porque hackers parecem legais pra você :)
Rating: 
ISBN: 9788576861263
Editora: Verus
Páginas: 328
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*exemplo recebido para review